Se você está lendo este artigo logo depois de viver uma situação de violência doméstica, a primeira coisa que precisa saber é: você não fez nada de errado, e existem caminhos legais concretos e rápidos para proteger você.

Este texto não substitui ajuda de emergência. Se estiver em perigo imediato, ligue para a Polícia (190) ou para o Ligue 180, que funciona 24 horas, antes de qualquer outra coisa. Abaixo, os primeiros passos, em Fortaleza e online.

Resumo visual: os primeiros passos a seguir após uma situação de violência doméstica.

1. Priorize a sua segurança física

Antes de qualquer providência jurídica, garanta que você está em um lugar seguro: na sua casa, na casa de alguém de confiança ou em um serviço de acolhimento.

Se houver ferimentos, procure atendimento médico. Além de cuidar de você, o registro médico se torna uma prova importante.

2. Registre a ocorrência e peça a medida protetiva

Vá a uma Delegacia, de preferência uma Delegacia de Defesa da Mulher, e registre o ocorrido. Esse registro costuma ser o caminho mais comum para pedir uma medida protetiva de urgência, prevista na Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006).

Desde a Lei 14.550/2023, porém, a concessão da medida não depende de boletim de ocorrência, de inquérito ou de processo criminal, e o pedido também pode ser apresentado por advogada, diretamente ao juízo.

"A medida protetiva pode ser concedida pelo juiz em até 48 horas após o pedido, e não exige que você já tenha um advogado."

Quando a polícia pode ajudar

A lei prevê que a autoridade policial, ao atender a mulher, garanta proteção policial quando necessário, encaminhe a mulher a atendimento médico e a um local seguro, e acompanhe a retirada dos pertences do domicílio, quando for o caso (art. 11).

3. O que a medida protetiva pode incluir

  • afastamento do agressor do lar, independentemente de quem seja o dono do imóvel;
  • proibição de aproximação e de contato: pessoalmente, por telefone ou redes sociais;
  • suspensão do porte de arma, se o agressor tiver;
  • pensão alimentícia provisória, quando necessária;
  • encaminhamento a programas de proteção, quando necessário.

O artigo medida protetiva em Fortaleza: como pedir detalha o pedido, a competência e os prazos.

Resumo visual: as cinco formas de violência doméstica e familiar previstas na Lei Maria da Penha.

Quais situações são violência doméstica

A Lei Maria da Penha reconhece cinco formas de violência doméstica e familiar contra a mulher: física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. Muitas mulheres vivem violência psicológica, patrimonial ou moral por anos antes de identificar o que está acontecendo.

A violência não precisa deixar marcas para existir, e pode acontecer mesmo depois do fim do relacionamento.

4. Reúna provas, mesmo que pareça difícil no momento

Sempre que for seguro fazê-lo, guarde:

  • prints de mensagens, ligações ou ameaças;
  • fotos de lesões, datadas se possível;
  • nome de testemunhas (vizinhos, familiares, amigos) que possam confirmar o que aconteceu;
  • registros médicos e boletins, se houver.

Nenhuma dessas provas é obrigatória para pedir a medida protetiva. O seu relato já é suficiente para dar início ao processo. Mas elas ajudam a fortalecer o caso nas etapas seguintes. Veja como usar prints e fotos de redes sociais como prova.

Vale saber

Pedir uma medida protetiva não obriga você a também abrir um processo criminal contra o agressor. São caminhos distintos, e você decide se e quando quer seguir com cada um.

5. Procure apoio jurídico o quanto antes

Um advogado ou advogada de família pode ajudar a entender, junto com a medida protetiva, questões que costumam vir logo depois: guarda dos filhos, uso do imóvel, pensão e eventual separação. Ter esse acompanhamento reduz a sobrecarga de decidir tudo sozinha, em um momento já difícil.

Filhos, casa e divórcio

Veja também: Divórcio em Fortaleza: por onde começar

Advogada oferecendo um copo de água a uma mulher durante uma conversa de acolhimento e orientação sobre violência doméstica em Fortaleza

Passo a passo nas primeiras 24 horas

  1. Garanta a sua segurançaVá para um lugar seguro. Em risco imediato, ligue 190. O Ligue 180 funciona 24 horas.
  2. Procure atendimento, se houver lesãoO registro médico cuida de você e documenta o que aconteceu.
  3. Registre a ocorrência e peça a medida protetivaDelegacia da Mulher, Casa da Mulher Brasileira ou advogada. O juiz decide em até 48 horas.
  4. Guarde as provas que tiverMensagens, fotos, nomes de testemunhas e registros, quando for seguro.
  5. Organize o apoio jurídicoGuarda, casa, pensão e divórcio podem ser tratados com orientação, no seu tempo.
Resumo visual: frases comuns sobre violência doméstica e o que a lei prevê.

Onde buscar ajuda em Fortaleza e no Brasil

  • 190: emergência policial.
  • Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher, 24 horas, para todo o Brasil.
  • Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e Casa da Mulher Brasileira, em Fortaleza.
  • Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, que decidem sobre as medidas protetivas.

Endereços, telefones e horários mudam com o tempo. Confirme sempre nos canais oficiais antes de se deslocar. Se você mora em outro estado, a orientação inicial pode ser feita online, e a proteção deve ser buscada na rede do local onde você está. Veja a página sobre violência doméstica em Fortaleza.

Erros comuns depois da violência doméstica

  • achar que é preciso ter provas perfeitas para pedir ajuda;
  • voltar para casa com o agressor sem um plano de segurança;
  • apagar mensagens, fotos e registros que mostram o que aconteceu;
  • adiar a procura por apoio por medo ou culpa;
  • decidir sobre guarda, casa e pensão sem orientação, em um momento de pressão.
Atendimento em Fortaleza e em todo o Brasil

Em Fortaleza, a rede de proteção inclui a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), a Casa da Mulher Brasileira e os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Comarca de Fortaleza. Em risco imediato, ligue 190; o Ligue 180 funciona 24 horas. Endereços e horários podem mudar, por isso confirme nos canais oficiais.

Atendo online mulheres de todas as regiões do Brasil, e quem está em Fortaleza também pode ser atendida presencialmente. Para entender melhor a área, veja a página sobre violência doméstica em Fortaleza. A página inicial apresenta o escritório e como funciona o atendimento.

Perguntas frequentes sobre violência doméstica

Preciso de boletim de ocorrência para pedir medida protetiva?

Desde a Lei 14.550/2023, a concessão não depende de boletim de ocorrência, inquérito ou processo criminal. O registro, porém, ajuda a documentar os fatos.

Em quanto tempo o juiz decide sobre a medida protetiva?

A lei prevê o prazo de 48 horas para o juiz decidir sobre o pedido.

Posso pedir medida protetiva sem advogada?

Sim. O pedido pode ser feito diretamente na delegacia. A orientação de uma advogada ajuda a organizar as informações e a cuidar do que vem depois, como guarda, pensão e divórcio.

Onde pedir ajuda em Fortaleza em caso de violência doméstica?

Na Delegacia de Defesa da Mulher, na Casa da Mulher Brasileira e nos serviços da rede de proteção, além do 190 em emergência e do Ligue 180. Confirme endereços e horários nos canais oficiais.

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Logotipo Ana Letícia Tomaz, advocacia de família em Fortaleza
Ana Letícia Tomaz de Vasconcelos

Advogada de família particular (OAB/CE 43.111), membro do IBDFAM, dedicada desde 2021 a atender exclusivamente mulheres em Fortaleza (CE) e online em todo o Brasil, em questões de divórcio, guarda, pensão, violência doméstica e herança. Este artigo tem caráter informativo e não substitui uma consulta jurídica sobre o seu caso específico.