"Ele disse que já tem um advogado e que pode cuidar de tudo para os dois." Essa frase, comum em muitos divórcios, esconde um risco que vale a pena entender antes de aceitar o advogado indicado pelo marido.

Este artigo explica por que a indicação do outro lado é um ponto delicado, o que a ética da advocacia diz sobre isso, quando um advogado em comum pode fazer sentido e como se proteger antes de assinar.

Resumo visual: por que ter sua própria advogada no divórcio importa.

Por que aceitar o advogado do marido é delicado

Um advogado tem o dever ético de representar os interesses de um único cliente. Mesmo em um divórcio consensual, os interesses de cada parte podem divergir em pontos como partilha, guarda e pensão.

Isso não significa que o profissional indicado seja mal-intencionado. Significa que ele foi contratado, e em geral pago, pelo outro lado, e dificilmente poderá zelar pelos seus interesses com a mesma atenção.

Consenso hoje não é consenso para sempre

O clima pode estar amigável no início e mudar quando surge uma divergência sobre um bem, sobre a guarda ou sobre o valor da pensão. Se a mesma pessoa orientou os dois lados, a sua defesa fica limitada justamente no momento em que mais precisa dela.

O que diz a ética da advocacia

O Código de Ética e Disciplina da OAB estabelece que o advogado deve atuar no interesse de seu constituinte e prevê cuidados especiais diante de conflito de interesses entre clientes. Representar as duas partes de uma negociação com potencial de conflito não é uma prática recomendada.

"O fato de o divórcio ser consensual não elimina a necessidade de proteção jurídica própria: consenso hoje não impede desacordo amanhã."

Sobre a pensão dos filhos, leia como funciona a pensão alimentícia na prática.

Quando um advogado em comum pode fazer sentido

A lei admite que, no divórcio em cartório, as partes sejam assistidas por advogado em comum. Em casos muito simples, sem bens e sem filhos, com plena confiança entre as partes, alguns casais optam por esse arranjo.

Mesmo assim, o ideal é que cada parte tenha, no mínimo, uma revisão independente dos termos antes de assinar qualquer documento. O artigo divórcio consensual: como funciona mostra o que o acordo precisa conter.

Comparação: ter a sua advogada própria ou dividir um advogado com o outro lado no divórcio.

Perguntas para fazer antes de assinar

  • Quem escolheu e contratou esse advogado, e quem o remunera?
  • Os termos de partilha, guarda e pensão foram explicados com clareza?
  • Recebi os documentos com tempo para ler e tirar dúvidas?
  • Alguém está me pedindo pressa para assinar?
  • Os bens e as dívidas foram listados de forma completa?
  • Entendi o que significa abrir mão de cada ponto?

Se alguma resposta gerar dúvida, esse é um bom sinal de que vale buscar uma segunda opinião antes de seguir.

Sobre a pensão para quem se dedicou à família, veja dona de casa tem direito a pensão no divórcio?

Mulher lendo com atenção os termos de um documento antes de assinar, em um escritório de advocacia, representando a escolha do advogado no divórcio em Fortaleza

Sinais de alerta no acordo proposto

  • pressa para assinar, com pouco tempo para ler;
  • documentos entregues sem explicação ou sem lista de bens;
  • valores de pensão ou prazos de convivência que não foram discutidos com você;
  • promessas verbais que não aparecem no texto escrito;
  • renúncia a direitos sem que o motivo tenha sido explicado.

Sobre a divisão da casa, um dos pontos mais sensíveis do acordo, leia quem fica com a casa no divórcio.

O que fazer se o marido indicou um advogado

  1. Não assine nada aindaPeça tempo para ler e entender o que está sendo proposto.
  2. Procure a sua própria advogadaUma orientação independente protege os seus interesses desde o início.
  3. Leve os documentos recebidosMinuta de acordo, lista de bens e qualquer papel que tenha sido entregue.
  4. Revise os termos com calmaPartilha, guarda, convivência, pensão e uso do imóvel devem estar claros.
  5. Decida com informaçãoAceite, negocie ou recuse, sabendo o que cada ponto significa.
Resumo visual: frases comuns sobre o advogado do marido e o que vale na prática.

E se eu já assinei alguma coisa?

Cada caso é analisado individualmente. Procure orientação o quanto antes para entender o que foi assinado, quais são os efeitos e se existem caminhos para revisar ou complementar o que foi acertado.

Evite assinar novos documentos até ter uma leitura independente. Para entender o panorama do processo, veja divórcio: por onde começar.

Como a advogada é escolhida e como são tratados os honorários

A escolha de uma advogada é pessoal. Os honorários são conversados depois que ela entende a sua situação, e o artigo quanto custa a consulta com advogado de família explica como isso costuma funcionar.

Se o outro lado não aceitar o acordo ou o diálogo piorar, o artigo meu marido não concorda com o divórcio mostra como o processo segue. Para saber mais sobre a área, acesse a página divórcio em Fortaleza.

Vale saber

Você tem todo o direito de ter a sua própria advogada, mesmo que isso pareça "gerar mais conflito" aos olhos do outro lado. Buscar proteção jurídica própria não é hostilidade: é cuidado básico, e uma segunda opinião profissional custa pouco perto do que pode evitar.

Erros comuns ao aceitar um advogado do outro lado

  • achar que "advogado em comum" é automaticamente neutro e protege os dois;
  • assinar procurações e acordos sem ler;
  • deixar de fazer perguntas por constrangimento;
  • decidir sem conhecer a lista completa de bens e dívidas;
  • supor que uma segunda opinião é sinal de desconfiança, quando é cuidado básico.
Atendimento em Fortaleza e em todo o Brasil

Em Fortaleza, mesmo no divórcio consensual em cartório, a presença de advogado é obrigatória, e cada parte pode ter o seu. Ter a sua própria advogada permite revisar o acordo antes da assinatura, seja em tabelionato de notas ou nas Varas de Família da Comarca de Fortaleza.

Atendo mulheres de todos os estados do Brasil por videochamada, com o mesmo sigilo do atendimento presencial. Para ver como o tema se aplica em Fortaleza, acesse a página sobre divórcio em Fortaleza. Conheça a trajetória da advogada na página inicial do escritório.

Perguntas frequentes sobre advogado no divórcio

O mesmo advogado pode representar o casal no divórcio?

Em casos muito simples e com plena confiança, alguns casais indicam um profissional em comum. Havendo potencial conflito de interesses, como partilha, guarda ou pensão, o ideal é que cada parte tenha o seu advogado, ou ao menos uma revisão independente.

O advogado indicado pelo meu marido pode me orientar?

O advogado tem o dever ético de atuar no interesse do seu cliente. Um profissional indicado e pago pelo outro lado dificilmente vai zelar pelos seus interesses com a mesma atenção.

Posso ter minha própria advogada em um divórcio consensual?

Sim, e é recomendável. Ter orientação própria não é hostilidade, é cuidado básico: consenso hoje não impede desacordo no futuro.

Posso ser atendida por advogada de Fortaleza morando em outro estado?

A orientação e o atendimento inicial podem ser feitos online, de qualquer estado do Brasil. O melhor caminho para o processo é definido conforme o caso.

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Logotipo Ana Letícia Tomaz, advocacia de família em Fortaleza
Ana Letícia Tomaz de Vasconcelos

Advogada de família particular (OAB/CE 43.111), membro do IBDFAM, dedicada desde 2021 a atender exclusivamente mulheres em Fortaleza (CE) e online em todo o Brasil, em questões de divórcio, guarda, pensão, violência doméstica e herança. Este artigo tem caráter informativo e não substitui uma consulta jurídica sobre o seu caso específico.